quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Quando a arte conta a história - Monumentos abandonados de São Paulo.

  

São Paulo - 463 anos - Quando a Arte Conta a História


Quando a Arte Conta a História, tem como objetivo mostrar um dos trabalhos relevantes que fiz, em comemoração ao aniversário da cidade de São Paulo.
 Na conclusão deste trabalho, decidi  mostrar como nossos Monumentos estão abandonados, e até quando ?

Acredito ser válido as duas situações propostas, mostrar a História de alguns deles, e  concomitantemente, o  abandono .




A história da fundação da Cidade de São Paulo pode ser contada a partir das mais diversas abordagens. A Coordenação de Educação e Cultura da Associação dos Funcionários Públicos do Estado de São Paulo escolheu para marcar os 463  anos da cidade, percorrer o caminho dos monumentos espalhados por São Paulo para desvelar o significado histórico que reside naquelas expressões artísticas.

Para tanto, foram escolhidas esculturas representativas de personagens e/ou situações, com as respectivas indicações de localizações, que contextualizassem a narrativa de fundação de São Paulo.

Esta Mostra pretende homenagear a Cidade que viu nascer esta Associação e presenciou seu desenvolvimento. E, ainda, propor ao público o direcionamento de um novo olhar às referências artístico-históricas da Cidade, na consciência e amplitude de seus significados, tornando-se, assim, também, um descobridor da fascinante história desta Metrópole.

Coordenação de Educação e Cultura



Em 1554, ocorre a fundação do Colégio dos Jesuítas, ao redor do qual iniciou-se o agrupamento de casas que deu origem ao povoado de São Paulo de Piratininga.

Alguns monumentos vão representar, justamente, os primeiros moradores daquele povoado.
É o caso da escultura :

1- Índio com o Tamanduá, instalada a Praça Marechal Deodoro, obra de Ricardo Cipicchia, que retrata aquele habitante dos Campos de Piratininga, entre os rios Anhangabaú e Tamanduateí - referência ao tamanduá, animal muito comum na região.




                                              

2- A escultura  Índio Pescador, obra de Francisco Leopoldo e Silva, instalada na Praça Oswaldo  Cruz, é outro exemplo.













3- Índio Caçador, escultura a de João Batista Ferri, abrigada na Avenida Vieira  de Carvalho, reverencia aquele habitante, mostrando-o à espreita de sua presa.






4- O monumento Glória Imortal aos Fundadores de São Paulo, criado por Amadeu Zani e instalado no Pátio do Colégio, homenageia os fundadores de São Paulo, retratando aspectos dos primeiros tempos da Vila :  a primeira missa, a catequese, a defesa da Vila pelo cacique Tibiriçá e a Guerra dos Tamoios.







5- Há,  ainda,  o Monumento ao Padre José Anchieta, criado por Heitor Usai, localizado na Praça da Sé, que retrata um dos principais fundadores da cidade, também conhecido como o "Apóstolo do Brasil".






6- O Largo São  Bento, onde se encontra a Igreja de São Bento, guarda uma relação histórica diretamente vinculada aos  primórdios de São   Paulo. Naqueles tempos, ali estava vinculada a taba do cacique Tibiriçá, local que demarcava o limite do povoado que começava a se formar. O cacique Tibiriçá, chefe da nação Guaianaz, prestou inúmeros e relevantes serviços à colonização paulista.






7- Posterior à colonização, o desbravamento de sertões distantes - conhecidos por "bandeiras" - montou seu quartel general na cidade de São Paulo, de onde partiam essas expedições. A obra  Monumento às Bandeiras, do escultor Victor Brecheret, localizada na Praça Armando Salles de Oliveira, no Ibirapuera,  destaca a grandiosidade do momento.






8- Um dos bandeirantes, cuja rota de expedição destaca-se em um mapa naquela escultura, aparece representado no Monumento a Raposo Tavares, obra de Luigi Brizzolara, instalado no saguão do Museu do Ipiranga.








9- Outro bandeirante, também representado no monumento encontrado no Ibirapuera, foi homenageado no Monumento a Fernão Dias, de Luigi Brizzolara, fazendo referência ao "Caçador de Esmeraldas".
A obra está localizada na área interna do Colégio Estadual  Fernão Dias Paes,  em Pinheiros.







10- O Monumento a Borba Gato,  obra que ressalta à vista por seu tamanho, foi criada pelo escultor Júlio Guerras.  Instalada em Santo Amaro, homenageia mais um dos bandeirantes que se notabilizou na história de São Paulo, cuja rota de expedição também é destacada no Monumento às Bandeiras.







11 - Bartolomeu Bueno da Silva foi mais um dos bandeirantes que ajudou a contar a história desta Cidade. O Monumento ao Anhanguera, esculpido em mármore na cidade italiana de Gênova, pelo artista Luigi Brizzolara, e localizado na Avenida Paulista, em frente ao Parque Trianon, traz-nos um pouco das narrativas daqueles desbravadores.






Os tropeiros, também desbravadores, surgidos entre os séculos 17 e 19, viajavam no lombo de burros e mulas,  suprindo as necessidade de alimentos dos exploradores de minas entre as regiões Sul e Sudeste do País, colaborando com o desenvolvimento das cidades.

12 - O Obelisco da Ladeira da Memória, obra de Daniel Pedro Muller, primeiro instalado em São Paulo, marcava o ponto de chegada dos tropeiros que vinham do Sul e está localizado ao lado da Estação Anhangabaú do Metrô.








13 - O período da escravatura é lembrado no monumento A Mãe Preta, de Júlio Guerra, instalado no Largo do Paissandú, ao lado da Igrejo Nossa Senhorea do Rosário. É uma homenagem a todas as escravas que desempenharam o papel de amas-de-leite.





14 - Os trabalhadores das antigas plantações de café são homenageados na obra O Colhedor de Café, de Lecy Beltran. O monumento, instalado na Avenida Nove de Julho, em frente ao Colégio Sacré Coeur, encerra este roteiro, ficando  o convite para que os visitante da Exposição  embrenhem-se em outras possibilidades de recontar a história da cidade de São Paulo.






Monumentos abandonados - até quando ?

publicado na Revista do Historiador - edição 186.

                                                     
                                          O Índio Pescador de  Francisco Leopoldo e Silva


O Índio Pescador,  famoso monumento datado de 1928 cuja autoria é de Francisco Leopoldo e Silva, está jogado ao descaso na praça Oswaldo Cruz, no bairro do Paraíso, em São Paulo. O pobre índio está literalmente indefeso, já que sua vistosa   lança  desapareceu.
A obre é uma das inúmeras que enfrentam uma recorrente e lamentável situação : abandono e depredação. Em edições anteriores da APH já foi demonstrada, através de reportagens sobre o tema, a situação de calamidade em que peças artísticas do patrimônio público se Excluir palavra repetida
Além de depredados, realocados ou esquecidos, o descaso com monumentos infelizmente simboliza uma triste realidade : a de que a maior metrópole do Brasil não anda respeitando a sua própria história ultimamente.

Adote uma obra  artística

Esse fenômeno não é exclusividade dos tempos atuais. Desde 1994, a Prefeitura de São Paulo, graças ao decreto nr. 34.511, criou o Adote uma obra artística, um programa que busca parcerias da iniciativa privada para conservação de obras e monumentos artísticos em espaços públicos. Em contrapartida, a empresa expõe a sua marca no espaço, valorizando a área e inibindo Excluir palavra repetida
Segundo a seção  Técnica de Levantamentos e Pesquisa do Departamento do Patrimônio Histórico - SMC - PMSP, mais 22 obras encontram-se em situações prioritárias, como é o caso do lago do Arouche. Somente nesta localidade, sete monumentos de autores diversos precisam urgentemente de apoio (Afonso  D'Escragnolle Taunay, Aureliano Leite, Augusto de Prima Porta, José Pedro Leite Cordeiro, Luiz Gama, Progresso, Vicente de Carvalho).
Outros marcos artísticos de São Paulo, como o Monumento ao Duque de Caxias de Victor Brecheret, Monumento à Independência e Amizade sírio-libanesa, de Ettore Ximenes, O ferroviário, de Ricardo Cipicchia e Giusepe Verdei, de Amadeo Zani, entre outros, também estão na lista, aguardando incentivo.
A relação completa e instruções de como participar do programa Adote uma obra artística estão disponibilizadas na página da internet da Prefeitura de São Paulo, na Seção  da Secretaria Municipal de Cultura, Departamento do Patrimônio Histórico.




quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Santos Dumont na coleção Brasiliana Itaú


Até o final de janeiro de 2017 é possível conhecer a trajetória de Alberto Santos-Dumont.
A exposição remonta lugares e momentos da vida do inventor, com objetos, documentos e fotos originais, além de uma réplica em tamanho real do famoso Demoiselle.












Alberto Santos Dumont (Santos Dumont, 20 de julho de 1873 - Guarujá, 23 de julho de 1932) foi um aeronauta, esportista e inventor brasileiro.

Santos Dumont projetou, construiu e voou os primeiros balões dirigíveis   com motor a gasolina. Esse mérito lhe é garantido internacionalmente pela conquista do Prêmio Deutsch   em 1901, quando em um voo contornou a Torre Eiffel    com o seu dirigível Nº 6, transformando-se em uma das pessoas mais famosas do mundo durante o  século XX.   Com a vitória no Prêmio Deutsch, ele também foi, portanto, o primeiro a cumprir um circuito pré-estabelecido sob testemunho oficial de especialistas, jornalistas e populares.
Santos Dumont também foi o primeiro a decolar a bordo de um avião   impulsionado por um motor a gasolina. Em 23 de outubro de 1906 voou cerca de 60 metros a uma altura de dois a três metros com o Oiseau de Proie' (francês   para "ave de rapira "),    no Campo de Bagatelle,  em Paris.

Menos de um mês depois, em 12 de novembro, diante de uma multidão de testemunhas, percorreu 220 metros a uma altura de 6 metros com o Oiseau de Proie III. Esses voos foram os primeiros homologados pelo Aeroclube da França   de um aparelho mais pesado que o ar, e possivelmente a primeira demonstração pública de um veículo levantando voo por seus próprios meios, sem a necessidade de uma rampa para lançamento.
Apesar de os brasileiros considerarem Santos Dumont como o responsável pelo primeiro voo num avião, na maior parte do mundo   o crédito à invenção do avião é dado aos irmãos Wright.   Uma excepção é a França,   onde o crédito é dado a Clément Ader  que efetuou o primeiro voo de um equipamento mais pesado que o ar propulsionado a motor e levantando voo pelos seus próprios meios em 9 de outubro de 1890.
A FAI,  no entanto, considera que foram os irmãos Wright os primeiros a realizar um voo controlado, motorizado, num aparelho mais pesado do que o ar, por uma decolagem e subsequente voo ocorridos em 17 de dezembro de 1903 no Flyer,   já que os voos de Clément Ader foram realizados em segredo militar, vindo-se apenas a saber da sua existência muitos anos depois.
Por outro lado, o 14-Bis   de Dumont teve uma decolagem autopropulsada, reconhecida oficialmente por público e jornalistas, tendo sido a primeira atividade esportiva da aviação a ser homologada pela FAI.



                           Carro Fúnebre que transportou Santos Dumont, em exposição no Guarujá - SP







Máscara mortuária de Santos Dumont